Skip to content

O que é o Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul?

fevereiro 20, 2026
Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul

A região que liga a serra ao mar, na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, abriga um verdadeiro tesouro de relevância internacional: o Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul. Mas o que exatamente significa esse título para o turismo, a conservação e, especialmente, para a cidade de Torres?

Abaixo, explicamos tudo o que você precisa saber sobre este gigantesco museu a céu aberto.

Leia também:

O que é um Geoparque?

Ao contrário do que o nome pode sugerir, um geoparque não é um parque fechado com portões de entrada, como um parque de diversões ou uma reserva isolada. Trata-se de um território delimitado e reconhecido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) que possui um patrimônio geológico de importância internacional.

Em resumo, é uma área onde a história da Terra, a evolução da paisagem e o desenvolvimento das comunidades locais estão profundamente conectados. O grande objetivo de um geoparque é garantir o desenvolvimento socioeconômico sustentável, sempre apoiado em três pilares fundamentais:

  1. Geoconservação: Proteger o patrimônio natural, as formações rochosas (geossítios), a biodiversidade e a cultura local.
  2. Educação: Promover a educação ambiental nas escolas e comunidades, conscientizando sobre a importância da sustentabilidade e da história do nosso planeta.
  3. Turismo Sustentável: Incentivar o turismo de forma responsável (o geoturismo), gerando empregos e renda para os moradores, valorizando o comércio, o artesanato e a gastronomia da região.

A História Geológica dos Cânions: De Desertos a Vulcões

A paisagem espetacular do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul não surgiu da noite para o dia. Ela é o resultado de uma fascinante história que durou milhões de anos, envolvendo a separação de continentes, desertos gigantes e um dos maiores eventos vulcânicos da história do nosso planeta.

Entenda como tudo se formou em quatro grandes etapas:

  • O Supercontinente Gondwana: A história começa quando a América do Sul e a África ainda estavam grudadas, formando um supercontinente chamado Gondwana. A região do Geoparque faz parte de uma gigantesca estrutura geológica (a Bacia do Paraná) que cobria partes desses dois continentes há mais de 450 milhões de anos.
  • O “Deserto Botucatu” e a Água Subterrânea: No final do período Jurássico, a região se transformou em um deserto colossal, coberto por dunas de areia gigantescas. Com o tempo, essas dunas se transformaram em rochas arenosas (Formação Botucatu). Por serem muito porosas, essas rochas hoje armazenam o famoso Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce subterrânea do mundo.
  • A Separação dos Continentes e o Oceano de Lava: Há cerca de 135 milhões de anos, o Brasil e a África começaram a se separar. Essa rachadura na crosta terrestre gerou um vulcanismo de proporções inimagináveis. Um “oceano de lava” cobriu o antigo deserto de areia, formando uma camada de rocha vulcânica incrivelmente dura, com até 2.000 metros de espessura (Formação Serra Geral).
  • O Soerguimento e a Escultura dos Cânions: Com a ruptura dos continentes, a borda leste da América do Sul foi empurrada para cima. Esse soerguimento ergueu as rochas vulcânicas, criando o grande “degrau” da Serra Geral (com mais de 1.000 metros de altura). A partir daí, ao longo de milhões de anos, as águas dos rios aproveitaram as rachaduras nas rochas para escavar e corroer o relevo de trás para frente. Essa erosão esculpiu os vales profundos e os imponentes paredões de pedra que formam os cânions.

O Território e a Importância de Torres

Reconhecido oficialmente como Geoparque Mundial em abril de 2022, o Caminhos dos Cânions do Sul abrange uma área fantástica que integra sete municípios parceiros: Cambará do Sul (RS), Mampituba (RS), Torres (RS), Praia Grande (SC), Jacinto Machado (SC), Morro Grande (SC) e Timbé do Sul (SC).

Sendo o principal destino litorâneo do Rio Grande do Sul, Torres exerce um papel único e essencial neste cenário. Enquanto os municípios do interior ostentam os imponentes cânions da formação Serra Geral (localizados a menos de 30 km da planície costeira), cachoeiras deslumbrantes e paleotocas (abrigos escavados por animais gigantes extintos há mais de 10 mil anos), Torres é o ponto onde esse espetáculo geológico encontra o mar.

As famosas falésias basálticas de Torres, suas furnas, praias e as elevações rochosas — como o Parque da Guarita e o Morro do Farol — são considerados geossítios de altíssima relevância. Eles ajudam a contar visualmente a história da separação dos continentes (quando a América do Sul se separou da África) e a formação vulcânica da nossa região.

O que o Geoparque oferece aos visitantes?

Quem visita o território do Geoparque vive uma imersão que vai muito além de tirar boas fotografias. O turista é convidado a:

  • Praticar o Geoturismo e Ecoturismo: Explorar trilhas em cânions profundos, tomar banho em piscinas naturais de rios limpos, observar aves e animais nativos, ou praticar esportes de aventura com guias locais.
  • Viver a Cultura e Gastronomia: Ter contato direto com a hospitalidade dos moradores, conhecer os saberes tradicionais, o artesanato local e a produção de alimentos direto do campo para a mesa.
  • Aprender na Natureza: Entrar em contato com uma aula de história ao vivo, compreendendo como os ventos, as águas, a lava vulcânica e as ações do tempo esculpiram o visual que hoje nos fascina.

Conclusão

O Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul é um convite irrecusável para se conectar com a força da natureza e as raízes da humanidade. Para quem visita ou vive em Torres, o Geoparque reforça a importância de preservarmos nossas belezas naturais, unindo as maravilhas do oceano com a grandiosidade da serra para criar um dos destinos mais completos e inesquecíveis do Brasil.